O SEQUESTRO DOS RECURSOS DA CULTURA NA GUERRA DAS PALAVRAS Por Carlos Henrique Machado Freitas

14-12-2011 10:00

O SEQUESTRO DOS RECURSOS DA CULTURA NA GUERRA DAS PALAVRAS
Por Carlos Henrique Machado Freitas

Bastou ficar dois minutos em uma quitanda corporativa pra eu me interar dos pratos do dia, das palavras da moda no novo festival de neologismos. No quadro negro os nossos senhores, doutores em malandragem da cultura corporativa incorporam nas suas estratégias de domínio para a obtenção de fortunas públicas, via leis de incentivo, uma diversidade de sofismas capaz de competir com qualquer das grandes enciclopédias. É o próprio besteirol a granel com farta interpretação com propriedade para deslumbrar qualquer um que sonha com a mundialização do nada.

O ROSÁRIO DE CAPIM GORDURA

Aqui vão somente alguns dos neologismos de hoje que os criativos gestores oferecem como remédio para justificar o papel de uma máfia organizada, sobretudo na ninhagem da elite paulista e carioca para se esbaldar com o dinheiro do povo. Economia da Liberdade, Crowd Economy, Marcas Criativas, Eletrocooperativa, Cultura Participativa, Planejamento Colaborativo, Empreendedores Criativos, Arqueologia da Produção, Player Global, Brand Entertainment, Economia Criativa, etc., etc.,etc..

É assombrosa essa ciência do roda-moínho, todo ele cheira a enxofre. Na verdade esse vale do suplício em busca de dinheiro fácil e farto cravou suas estacas numa demarcação nada azeitada e organizou a lista do fidalgo suborno artístico.

Toda essa invenção de "técnicas", pometendo a nova aurora e a emacipação da nossa cultura é um espetáculo pirotécnico para credenciar o poder hegemônico que ascende de forma sistêmica dentro do jogo do dinheiro, dinheiro público que chega numa condição de servo da gleba.

Não há dúvidas de que nessa racionalização fertilizada por uma alienação conceitual os grupos humanos, a natureza de nossa cultura, a importância das artes e o próprio território brasileiro não têm qualquer importância. Toda essa lógica de "caráter planetário" é a mesma que regeu e rege todos os processos de grilagem do território brasileiro.

Na verdade o estatuto colonial adaptou-se a um conjunto de novos títulos para compartimentar e transformar a cultura em território esquizofrênico. Assim como na agricultura moderna os novos gestores "cientizados e mundializados" roubam descaradamente os recursos extraídos da coletividade.

O apetite funcional é a característica marcante desses gestores e, mesmo que nos brindem com o fenômeno de pobreza intelectual gritante por meio da relação entre as elites econômicas, estas concepções ganham valor como se fossem a nova ordem do território cultural. Na realidade estamos consumindo em forma de inalação o entendimento do mundo da cultura pelas regras de uma especulação exponencial definida por "processos técnicos" de nossa época. Tudo logicamente diante da presença do dinheiro público e do tom ameaçador e implacável de nossa dependência para a existência cotidiana.

A questão é, como confrontar as palavras cheias de mistérios de banalidade impar se o próprio MinC alimenta e alicerça tais relações? Se há uma mitiicação comportamental que tem força quase divina no universo corporativo, o Ministério da Cultura do Brasil deveria ter um papel indispensável em explodir a produção de valores dos gestores corporativos que na verdade não são valores de cultura e nem de mercado. Essas firmas que andam por aí prometendo o "reino do mercado" nem para esta classificação arbitrária mostram o mínimo de capacidade. O empenho na verdade está exatamente na captação da matéria-prima orgânica, a fabricação de recursos públicos com fundamento vital de seus objetivos.

Sinceramente não sei como vamos frear esse círculo vicioso, essa rotina de estupidez. Quanto aos "possuidores" que vêm acumulando verdadeiras fortunas com a perversidade da Lei Rouanet, quanto mais neologismos essa torre de babel globalizada criar, melhor será para eles, mais vertigem causam e, de forma mais veloz e automática, roubam a sociedade com suas picaretagens criativas.
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